FMI prevê recessão de 8% para Portugal. Teremos de volta as medidas de austeridade?

Mesmo para quem seja leigo na matéria percebe que a nossa economia e sociedade vão sofrer, ainda mais, com os efeitos indiretos do Covid-19. A defesa da saúde de todos nós conduziu, até ao limite das nossas capacidades, à necessidade do encerramento de boa parte do nosso tecido empresarial. Os pedidos de layoff, o encerramento de empresas e o desemprego são algumas das consequências que já se fazem sentir e que no futuro tenderão a agravar-se. Por outro lado, as conta do Estado irão sofrer uma pressão do aumento das despesas e de uma quebra inevitável das receitas.

Neste contexto, é previsível que o nosso Estado de Emergência não possa prolongar-se por muito mais tempo. O que nos reserva o futuro?

Em termos de saúde ainda há muitas incertezas em relação ao covid-19, sendo expectável o aparecimento de uma vacina dentro de dois anos. Em termos económicos é consensual entre os vários economistas que vamos enfrentar uma recessão a nível global maior que a crise financeira de 2008. A incerteza a este respeito, como refere “The Economist” consiste em saber se vamos ter uma recessão em forma de “V” (uma quebra acentuada da economia seguida de uma rápida recuperação), em forma de “U” (uma quebra acentuada da economia seguida de uma recuperação lenta) ou em forma de “L” (uma recessão a longo prazo).

Que impacto terá esta pandemia na economia portuguesa e nos Portugueses?

O FMI previu, recentemente, uma quebra no PIB de 8%. O primeiro-ministro em entrevista à Lusa garantiu que “Não haverá mais austeridade devido às ajudas do Mecanismo de Estabilidade Europeia

Sendo certo que o melhor cenário que temos a nível global é uma recessão em forma de “V” o qual, por si só, já nos deixa numa situação de grande vulnerabilidade, sendo ainda possível qualquer dos dois outros cenários, garantir que não haverá mais austeridade devido às ajudas do Mecanismo de Estabilidade Europeia é, no mínimo, muito imprudente. Tão imprudente que poucos dias mais tarde o primeiro-ministro António Costa não excluiU que venham a ser aplicadas medidas de austeridade em Portugal, após o surto de Covid-19 (notícia Eco Sapo).

Um dos setores mais castigado, o turismo, representa em Portugal cerca de 19% do PIB de acordo com os dados divulgados pelo Conselho Mundial das Viagens e Turismo.

Segundo a Moody’s os setores do vestuário, fabricantes automóveis, fornecedores de automóveis, bens de consumo duradouros, jogos, alojamento, turismo e lazer, companhias aéreas, retalho (produtos não alimentares), são os que mais estão à mercê da evolução mundial da pandemia do Covid-19, e como tal, dão sinais de fragilidade quanto à sua sobrevivência num futuro próximo.

Neste contexto, parece-nos inevitável o regresso às medidas de austeridade.  

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