De acordo com uma pesquisa recente da Organização
Mundial do Turismo (OMT), a maioria dos
especialistas em turismo não espera um retorno aos níveis pré-pandémicos antes
de 2023.
À medida que o turismo recomeça, o Painel de
Especialistas da OMT prevê uma procura crescente por atividades turísticas
ao ar livre e baseadas na natureza, com o turismo doméstico e as
experiências de “slow travel” ganhando cada vez mais interesse.
O “slow travel” foi inspirado no movimento
“slow food”. A proposta segue a mesma lógica. Fazendo a analogia, “slow travel”
consiste em viajar com mais presença, trocando quantidade por qualidade,
valorizando uma conexão profunda com os lugares visitados.
O setor do turismo é um dos mais afetados
pelo covid-19. O futuro avizinha-se muito preocupante para este setor enquanto
os cientistas não encontrarem uma vacina contra o covid-19.
Neste lapso de tempo, entre 12 a 18 meses
apresentado como sendo o mais provável, é preciso
reinventar o Turismo.
A
este propósito destacamos uma antevisão de Alexey Kravchenko
(Economic Affairs Officer – Trade, Investment and Innovation Division of
ESCAP) que poderá ter interesse para as empresas e restantes entidades
ligadas a este setor.
Uma forma de minimizar o impacto do covid-19
no turismo, numa primeira fase, seria incentivar o turismo doméstico. Tal
poderia ser feito restringindo propositadamente as viagens externas.
Mas como poderíamos evitar a propagação
da pandemia ao incentivar o turismo, mesmo que a nível interno?
Se for evidente que os sobreviventes do
COVID-19 se tornam imunes a infeções e transmissões subsequentes, um
certificado de imunidade poder-se-ia tornar um requisito para viagens
externas e internas.
Por exemplo, o Reino Unido já está a considerar
emitir “passaportes de imunidade” para que as pessoas possam
deixar o bloqueio mais cedo.
Numa fase posterior, é desejável obter
receitas dos turistas estrangeiros. É natural que haja uma competição
lenta e intensificada gradualmente pelas receitas dos turistas estrangeiros.
Os países podem exigir um certificado
gratuito COVID-19, sendo desejável que estes sejam reconhecidos
internacionalmente através de laboratórios credenciados. Para iniciar esse processo,
os governos podem querer começar a discutir tais disposições, incluindo acordos
de reconhecimento mútuo, padrões internacionais aceites e assim por diante.
Por outro lado, os próprios países
anfitriões também precisarão mostrar que são seguros para os turistas. Isso vai
para além do baixo número de infeções relatadas, mas também da existência de
sistemas confiáveis no caso de turistas ficarem doentes. Tais disposições
podem incluir garantia do governo para tratamento privado (uma vez que agora seria
quase impossível obter seguro).
Os países destinatários também terão de
facilitar a chegada dos viajantes. Isso significará a melhoria dos processos de
solicitação de visto (disponibilização on-line) ou a renúncia total, talvez
como parte de acordos bilaterais.
Recentemente a Associação
de Hotelaria de Portugal fez referência a uma acentuada descida nas
dormidas e do índice de consumo de turistas chineses em Portugal.
Cedo percebemos que, apesar do coronavírus
ainda não ter chegado ao nosso país, os seus efeitos indiretos sobre a economia
nacional seriam muito prováveis, em particular no setor do turismo (no nosso artigo
de 5/fevereiro explicamos porquê).
Hoje, face às mais recentes notícias, é
pouco provável que as suas consequências se fiquem apenas pelos efeitos
indiretos. A propagação do vírus atingiu uma nova fase com o aumento de
casos fora da china, atingindo sobretudo o Japão, a Coreia do Sul, o Irão e a
Itália. De acordo com a Bloomberg
já foram confirmados 79.527 casos e 2.627 mortes em todo o mundo.
Em termos económicos, os setores dos transportes
e do turismo serão os primeiros a sofrer o impacto desta nova realidade,
provavelmente, mesmo que o seu impacto na saúde seja pequeno.
Apesar da elevada incerteza face ao
desconhecimento deste novo vírus, em nossa opinião, poucas dúvidas prevalecem
sobre o seu impacto económico que já se faz sentir e que os mercados financeiros
já começaram a antecipar.
O que nos reserva o futuro? Diz-nos a história que a ciência e o tempo irão encontrar resposta a este flagelo. Até lá, se a sua empresa faz parte dos setores críticos é fundamental desenvolver planos de contingência.
O coronavírus está a custar bilhões à
indústria global de turismo porque viajantes chineses estão a ser impedidos de
deixar o país.
Hotéis, companhias aéreas, casinos e
operadoras de cruzeiros estão entre as empresas mais afetadas pelo vírus, que
até agora matou 131 vidas na China, com quase 6.000 infetados em todo o mundo,
anunciou, recentemente, o Dailymail.
O impacto foi agravado pelo vírus mortal
da gripe que se espalhou durante o feriado do Ano Novo Lunar, geralmente um
período de grande expansão para as viagens chinesas.
O que acontece na China significa muito
mais para a economia mundial do que quando ocorreu o surto de SARS, quase duas
décadas atrás. Em 2003, a China representava 4,3% da produção económica
mundial. No ano passado, representou 16,3%, segundo o Fundo Monetário
Internacional.
De acordo com a Rádio Renascença,
em 2018, 315 mil chineses fizeram turismo em Portugal, garantindo meio milhão
de dormidas.